O Brasil tem mais anos
escravagistas do que republicanos. E quem fundou a república
brasileira foram os senhores de engenho contra o poderio dos
monarcas. Não foi Tiradentes não. Provavelmente, esteja aí o ranço
elitista em nosso país.
É importante também dizer
que o Brasil é um país onde primeiro se formou um goveno depois um
povo. Assim começou a nossa mentalidade de querer que tudo se
resolva de cima pra baixo, e adoramos por a culpa nos governantes
lá em cima...essa coisa de mobilização social, ONGs e comunidades,
é coisa nova no Brasil.
O livro 1808 explica através
de causos e histórias bem documentadas a chegada do Principe
Regente de Portugal D. João VI ao Rio de Janeiro e como isso
transformou a vida de todos os brasileiros. Lendo o livro
entende-se o porquê somos o que somos hoje, a mentalidade servil, o
jeitinho brasileiro já tão corriqueiro desde aquela época, a
confusão que se faz entre o que é público e o que é privado, entre
as inúmeras trocas de favores entre famílias dominantes e a
precária noção do que é ser cidadão.
É curioso também ver a
formação da polícia no Rio de Janeiro há 200 anos que perseguia
negros mal vestidos, porque negro não podia andar maltrapilho na
cidade do Príncipe Regente.
No final do livro, o autor
faz uma análise de como seria o Brasil hoje se todas as rebeliões
contra a Monarquia tivessem tido sucesso. O Brasil seria dividido
em diversos países como tantos outros da América do Sul. Isso
mostra que de bobo, D. João VI não tinha nada, como muitos
historiadores acreditavam. Foi um político muito astuto que
defendeu sua última cartada na conturbada política internacional da
época, a unidade e a extensão continental do Brasil
Colônia.













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